sábado, 15 de setembro de 2012

Vamos Viver


O Luis Ticianelli fez o vídeo, e eu tenho certeza que é uma daquelas coisas que eu vou rever sempre, mesmo daqui a 50 anos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quando eu vi a Torre...

... eu pirei.
O Luis Ticianelli tem em vídeo. Sério, não é todo dia que um cara que viveu os primeiros 17 anos da sua vida numa cidade menor que o campus da universidade onde estuda de repente fica em frente a algo assim.
Mas, bem, estava eu no aeroporto. Vou pular a despedida porque, bem, não gosto de despedidas, e também porque eu ainda não tenho a foto com a bandeira do Corinthians que tiramos.
Estavamos lá Sara, Postal, Luis Ticianelli, Luis Stephani, Bruno e eu, e, de repente aparecem mais dois politécnicos, o Rafael e o Marcelo, que também vão fazer DD na França. Passamos as malas pelo raio x, e descemos para pegar o... busão.
Eu esperava ser um ônibus do tipo que eu pego pra ir de São Paulo pra Cambará, mas não. Era o que eu pegava pra ir da Vila Indiana pro Metrô Butantã:



Ele nos levou até o avião. 
Véi... 
Véi...

Aviões são muito loucos. Até você passar 10 horas dentro dele e ainda faltar 2 pra aterrissar. Mas pelo menos pudemos jogar xadrez, onde pude travar a partida mais lamentável da história com o Bruno, tanto pra mim quanto pra ele (registrada na foto ao lado), e ainda assistir o último Harry Potter em français!
Admito que, quando você descobre que "varinha mágica" em francês é "baguette magique", você nunca mais vê o filme da mesma forma.
Quando você decola e o negócio fica todo inclinado, cara, demais... ah, e o assento é mais apertado que os de ônibus. For real. Tava quase colocando o pé no colo da pessoa que tava sentada na minha frente pra poder dormir um pouquinho. E a refeição foi melhor do que eu imaginava (eu imaginava que seria muito, muito ruim). Dez horas depois eu já tinha apertado todos os botões, assistido seriados, filmes, e testado todas as posições disponíveis para dormir. E não aguentava mais ficar naquele avião. Mas faltavam duas horas ainda, oba.
Depois do pouso, numa tarde de sexta-feira, entramos na fila e mostramos o visto pro tio, e esperamos muito, muito tempo até a mala de todo mundo aparecer na esteira...



Depois quem ia pro hotel pegou um trem/tram/metrô muito bom pra ir até o centro de Paris.
No centro de Paris tem metro a cada duas quadras, praticamente, e é magnífico poder ir pra qualquer lugar facilmente. Mas, falando sério, o metrô de Sampa é mais limpo e talvez até mais confortável.
E essa foi a pior experiência que tivemos na França até agora. Andar de metrô, fazer 3 baldeações, descer escadas com MUITAS malas de 30 quilos e mochilas num calor terrível não é legal em nenhum lugar do mundo. Por isso criei uma imagem dupla de Paris, o subsolo de sofrimento, e a superfície da melhor cidade do mundo. Exaustos, finalmente chegamos ao hotel, onde ficamos em quartos com três camas, do mesmo tamanho do quarto em que estou agora em Vichy. Tomamos banho e descansamos até as 8 da noite.
Bem... 8 da noite é como dizemos no Brasil, mas isso não funciona muito aqui.
Num lugar tão afastado do trópico, em pleno verão, o sol se põe depois das 21h, e essa é uma das coisas que mais ferram seu relógio biológico.
Saímos do hotel e fomos para o McDonalds, onde McChickens com batatas e refrigerante nos esperam por módicos 7 euros. E foi assim que nos alimentamos até o jantar do sábado (foi mal, mãe). Então seguimos o plano do mestre Bruno Takashi, que sabia quase exatamente para onde ir, e esse foi o início do rolê mais condensado por Paris que alguém pode fazer. Mas a primeira coisa que eu notei quando descemos pro metrô e fomos comprar tickets foi a maneira com a qual os parisienses lidam com...
Catracas.
Eles não dão nenhuma fuck pras catracas. E elas ainda tem uma portinha depois pra dificultar quem quer passar sem pagar. Mas quando um grupo de amigos vai passar por elas, o primeiro insere o bilhete, abre a portinha e fica segurando para os outros amigos pularem a catraca. Na frente da mulher que vende os tickets. E ninguém se importa com isso.
Bem, dessa vez nós brasileiros passamos civilizadamente pela catraca, e ainda contamos com a ajuda da mulher que vende tickets pra pagar mais barato comprando tickets pra todos nós de uma vez. Parisienses, afinal, são legais! Seguimos até a estação do Trocadero, e taí a minha foto todo serelepe por estar em Paris. Mal sabia eu o que ia acontecer a dez metros dali.


A dez metros dali tem uma área aberta enorme, um jardim gigante, e a Torre Eiffel.
Quando eu virei, PÁ.
A Torre inteira, gigante, toda na minha frente. E foi naquele momento que eu percebi que nunca tinha pensado na Torre como algo real, sempre tinha sido algo longínquo, imaginário, coisas de livros de história que não existem mais. O copo do McDonalds na minha mão amassou na hora. Na foto seguinte está a primeira visão que eu tive dela, e, pode não parecer, mas eu estava pirando. Logo o Luis Ticianelli vai finalmente acabar de editar os vídeos e vou poder mostrar a minha reação nesse momento. Essa foi a primeira sensação "Carai, to na França!".


Fomos caminhando em direção à ela, enquanto a noite caía. Muitos turistas, o rio Sena e um jardim incrível estavam à frente, chegamos embaixo da Torre, vimos a fila e o preço pra subir nela e continuamos o nosso caminho. Então, com o céu já escuro, a Torre toda começa a piscar, é fantástico. No jardim estavam vários grupos sentados na grama, vendedores de um brinquedo que é como uma hélicezinha iluminada e de taças de vinho e champagne. Ah, e também os guardas mais bem armados que eu já vi passaram do nosso lado, com armas dignas dos CTs do Counter Strike. Caminhamos até um monumento à paz, onde eu tive a sorte de pisar em poças d'água seguidamente. O monumento consiste em umas placas de vidro  com a palavra "paz" escrita em vários idiomas, mas algumas placas estavam trincadas, e eu não sei se foi assim que o artista quis fazer...
Em frente ao monumento fica a escola militar. A rotina dessa escola devia ser parecida com a politécnica, exceto que, na época da P3, quando todos estão altamente estressados, precisando de nota, deixando de lado o sono e a própria condição humana, lá eles podem olhar pela janela e ver a Torre Eiffel diretamente na frente deles. 
De lá seguimos para a Champs-Élysées, e no caminho tem um monumento atrás do outro, foi a caminhada mais fantástica que eu fiz até agora. Andamos até a Praça da Concórdia, e no obelisco pudemos contemplar uma visão incrível. A avenida movimentada se estendendo até o Arco do Triunfo de um lado, o monumento egípcio nos fazendo imaginar toda a engenharia necessária para trazê-lo e erguê-lo ali, e os portões dourados do jardim do Louvre no outro lado. Infelizmente eles estavam fechados, então contornamos o jardim à caminho do museu, passamos por um pequeno parque de diversões, e chegamos às pirâmides. Além dos turistas estavam vários vendedores das mesmas hélices com luzinhas. Ficamos lá de boa por um tempinho, e decidimos voltar. Passamos pelo parque, onde tinha um restaurante altamente inflacionado, e encerramos a noite voltando de metrô para o hotel.
Fim da primeira noite na França

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Final Countdown.

Como já disse, eu estava em casa (em sampa), numa terça feira à tarde, e o email chegou. Eu tinha sido aceito na École Centrale Marseille. Peguei o telefone pra ligar pra minha família, mas quando comecei a discar pensei "Como eu vou dizer pra minha mãe que vou ficar dois anos fora do país?". Bem, decidi ligar primeiro para os outros aprovados que eu conhecia pra avisar do resultado. Me lembro principalmente da ligação para o Luis Stephani.
"Eaí, Luis, beleza? Ahhh, então, cara, você gosta de praia?"
"Oi cara, tudo bom. Porque?"
"Então cara... é que nós vamos passar dois anos estudando na Centrale Marseille"
"Que? Não cara, não. Você tá falando sério? Ah cara, é brincadeira isso. Você tá falando sério mesmo??"
Depois corri pra Poli, já que não da pra comemorar fechado em casa. Então criei o grupo no facebook e marquei o primeiro rolê Centralien-Politécnico da nossa promo, Starbucks no Eldorado, depois da última prova do semestre. O que mais marcou nesse encontro com a galera foi que deu pra ver que todo mundo era muito gente boa. Ah, e claro, as ajudantes de papai-noel piradas do shopping.
Mas, naquele momento, toda essa história de duplo-diploma e dois anos na europa ainda estava muuuito distante.
Então, quatro meses depois, eu estava no carro, indo pra São Paulo, no fim de fevereiro desse ano, para meu último semestre de Poli antes da viagem. A viagem não era mais ano que vem, era ESSE ano! Em um mês seria a P1, depois a P2 no outro, a P3 no outro e França no próximo! Mas... esse tal negócio de morar fora do país por dois anos... bem, isso ainda era uma coisa muuito longe, uma idéia com a qual eu tentava não me preocupar muito.
Depois disso nós, o grupo dos centraliens, fomos algumas vezes comer fora, no Outback, na casa do Bruno (foto abaixo), etc, mas vou focar em duas ocasiões marcantes.

No começo do ano surgiu o convite da consultoria Bain para todos os duplo-diplomandos conhecerem melhor o trabalho deles num happy-hour. Posso dizer que foi fantástico, não só foi a maior reunião de centraliens até agora (só faltando o Luis Ticianelli), como os camarões estavam incríveis, e a apresentação despertou a vocação de consultor em vários de nós, até mesmo em alguns que sonhavam em ser banqueiros ou engenheiros. Ah, e claro, conhecemos parte da galera da Unicamp! Foi, como posso dizer...
Locasso.

Outro programa que surgiu foi o primeiro Career Forum das Écoles Centrales em São Paulo. Conhecemos vários veteranos que deram alguns spoilers incríveis sobre a vida centralien (infelizmente, como a Lina disse, eu não estava quando os veteranos de Marseille foram conversar) e várias empresas que, denovo, fizeram alguns que sonhavam com uma carreira num banco ou numa consultoria imaginarem pela primeira vez serem engenheiros de verdade. E conhecemos parte da galera da UFRJ! Sim, sim, eu sei, eles são cariocas, têm aquele sotaque e(x)tranho, mas são muito legais!


E então, quatro dias depois, eu estava na Poli, entregando a prova final de EleDigi pro Prof. Furukawa, na manhã de uma quarta feira. Era a minha última prova. Na saída da sala encontrei o Bruno Takashi, que também estava no estado "Carai, essa é minha última prova na Poli em dois anos!". Felizmente eu ainda tinha mais um mês de férias, e essa conversa de sair do Brasil ainda era muito distante.

Julho passou assustadoramente rápido, claro, marcado por reuniões com meus amigos de infância, que culminaram nessa festa junina improvisada da foto (bem incompleta) abaixo


Finalmente... eu estava com meus pais e meu irmão no aeroporto. Eu nunca tinha pisado em um aeroporto. Talvez eu não tenha comentado, mas possuo uma incrível habilidade, criada com anos de treinamento, de, por certas vezes, bloquear o futuro da minha mente, e assim, até mesmo naquele momento, esse negócio de passar dois anos na Europa continuava como parte de um futuro distante. A ficha só caiu com as experiências que eu tive nos 3 dias que se seguiram.

domingo, 22 de julho de 2012

Minha Saga

Então, bixos, tudo começou em março de 2010, quando eu fui na minha primeira palestra do CRInt sobre intercâmbio, Duplo Diploma e Aproveitamento de Créditos. Falaram de média 8.0 (Para os não-USPianos que leem, na minha faculdade você precisa de média 5.0 pra ser aprovado. E, bem, em várias disciplinas, 5 é muito, mesmo!). Eu pensei "Ah, merda. Duplo Diploma não vai rolar. Eu to no meio dos caras mais inteligentes do país, vou ter que me contentar com algum intercâmbio normal". E o tempo passou...
Depois de várias semanas de provas mal-dormidas, muita argumentação nas revisões de notas, chegou o fim do terceiro semestre. Na semana anterior à P3, houve uma palestra com o Prof. Fonseca, diretor do CRInt, muito melhor do que as outras que eu tinha assistido. Eu me matei de estudar naquela P3 por causa dessa palestra.
Bem, uma coisa que eu senti falta quando lia os blogs dos outros Centraliens é que ninguém fala a droga da média!! Então dane-se, vou falar a minha, quase todo mundo já sabe mesmo. Passei no processo seletivo com 7.7 (não, nunca fiquei com média acima de 8, as minhas médias dos três primeiros semestres, que são as únicas que contam no processo seletivo das Centrales, foram 7.8, 7.4 e 7.9). Foram 12 aprovados, 6 tem média entre 7.5 e 8.0, e os outros 6 tem média entre  8.1 e 9.0. A entrevista representa uma parcela bem pequena do critério de escolha, a sua nota e o seu ranking na sua engenharia representam dois terços do critério. Eu acho que a entrevista foi meio pra selecionar a galera com média 7.5, 7.6, 7.7 e 7.8, acho que quem tinha mais que isso passou tranquilo (só não matar nenhum dos entrevistadores que tá de boa).
O processo seletivo começou com um edital que saiu no começo de Setembro, se me lembro bem. Tínhamos que mandar currículo e plano profissional para a peneira dos professores do CRInt. Plano profissional é uma coisa peculiar, como se chegassem pra você assim: "Olá, Maurício, tudo bom? Então, me diz aí, já decidiu como vai ser o RESTO DA SUA VIDA?".
Então, eu não tenho nenhum "plano de longo prazo", então tive que decidir numa tarde que eu queria trabalhar em tais áreas de tais indústrias, fazer tal pós e blablabla. E ainda descobri, no dia anterior da entrega, que o texto deve ter no máximo 4000 caracteres. O meu tinha uns 6000. No fim cortei toda aquela parte "história da minha vida", que tinha todo o apelo emocional do texto, pra ficar com 3999 caracteres. Enviei. Passaram 42 pessoas pra entrevista com os professores da Poli, e o critério foi, essencialmente, se a sua média era maior que 6.5.
Os candidatos receberam uma tabela com os horários de entrevistas, e a minha foi com dois professores da Produção. Isso foi muito bom, já que meu coração é produteiro (pena que eu não quero largar a engenharia), e eles acabaram gostando de mim e tal. Essa entrevista durou dez minutos. Creio que foi para verificar se os candidatos sabiam falar e não babavam. Pra mim foi a parte mais tranquila, e 28 candidatos passaram.
A entrevista final com os franceses foi, pra mim, TENSA.
Primeiro porque eu já tava pirando. No dia anterior à entrevista eu e o Renan (que vai pra Nantes) fomos dar uma passada no CRInt perguntar sobre uma mudança de horários nas entrevistas sobre a qual ouvimos falar. Tinha uma van preta estacionada na frente do prédio da administração. E no segundo andar passamos por uns franceses conversando com um professor da Poli. Oh, fuck. Eram eles.
E também porque a minha entrevista for marcada para ser a segunda ou terceira depois do almoço. Mas essa mudança de horários que eu mencionei acabou me jogando pra ser o último entrevistado do dia. Eu cheguei lá um pouco antes das 13h, e fui entrevistado só às 17h. Eu esperei quatro horas pela minha entrevista. QUATRO FUCKING HORAS. Pelo menos eu acabei conhecendo grande parte do pessoal que eu ainda não conhecia. Mas, no fim da tarde, quando a Michelle saiu da entrevista dela, a penúltima, e me deu tchau, eu fiquei sozinho no corredor dos quadros dos antigos diretores da Poli, esperando a minha entrevista, com fome, cansado, desanimado. Dez minutos de pura tensão depois, a porta da sala da entrevista se abriu e uma mulher me chamou. Entrei, deixei minha mochila do lado da cadeira, e me sentei. A mesa era dessas antigas, de madeira, muito foda, e do outro lado estavam os 5 franceses, um de cada École Centrale. Me perguntaram sobre o idioma e eu disse em francês que eu ia tentar responder as perguntas mais básicas em francês, mas as respostas mais complexas eu ia dar em inglês mesmo. Me pediram para me apresentar, perguntaram qual era o meu plano profissional, fiquei puto, já que pareceu que eles nem leram os meus 3999 caracteres, perguntaram sobre o que eu gostava de fazer, minha família, e não deu nem 15 minutos de entrevista.Saí desolado naquela tarde solitária, voltei pra casa e comecei a trabalhar na idéia de não passar, e ter que prestar processo seletivo pra outro DD no ano seguinte.
Fui em todas as palestras e eventos de intercâmbio depois, me preparando pra prestar o processo seletivo do terceiro ano, e desanimado por ter que manter uma média alta por mais dois semestres.
Daí, naquela fatídica tarde de terça feira, por volta de um mês depois da entrevista, chegou o email.
Dois fatos:
-Eu sempre sonhei em morar num lugar frio, com neve e tudo.
-Eu odeio química.
Bem, o resultado disso é, me mandaram pra Centrale Marseille, que fica no litoral mediterrânico, um dos lugares mais quentes da França, onde neva uma vez a cada cinco anos, e é a Centrale com mais foco em química. Dane-se hauhauahuahuah!!
Bem, esse foi o meu quarto semestre na Poli, a Saga da Seleção. Foi a minha pior média até agora (ainda bem que não conta na seleção), e foi marcado por esse processo seletivo macabro que acaba com a sua sanidade mental. A Saga do CRInt, e a Saga da Brafitec ficam pra outro dia. Talvez eu deva me apresentar qualquer dia desses também, né...
Ah, e que peculiar...
100 HOURS REMAIN UNTIL TAKEOFF.

sábado, 21 de julho de 2012

Carta aos eternos Bixos

Quando eu tava concorrendo pra esse bagulho aí de Duplo Diploma, eu li todos os blogs de todos os veteranos. TODOS. E fui atrás deles! Primeiro fui falar com um gaúcho de Lille, depois com uma cearense de Paris, e outra cearense de Nantes (pra achar o email da menina tive que achar o email da mãe dela primeiro. Prêmio stalker do ano.). Perguntei sobre o processo seletivo, sobre as entrevistas, as atividades extra-curriculares, as médias deles (porque na PUC pode ser tranquilo pegar DD, mas na Poli é realmente tenso! Todo mundo quer se livrar dessa faculdade o mais rápido possível, e, se abriu um processo seletivo no segundo ano, geral corre pra concorrer). E então eu prometi pra mim mesmo que eu ia escrever um blog e ia ter um post pra ajudar os bixos. E aqui está ele.
Bem, para evitar a fadiga, aqui está um texto que escrevi pro jornal do PET Mecatrônica no começo do ano, falando sobre Duplo Diploma em geral. No próximo post eu escrevo mais especificamente sobre a minha saga atrás do DD Centrales.

Bixos, no início de 2010 eu era mais um de vocês, vindo de longe de Sampa, sem saber o que me esperava, indo morar sozinho numa das maiores cidades do mundo. Bem, se tem uma coisa que bixo gosta de fazer é assistir palestra e se inscrever em coisas. E, claro, TODO MUNDO vai nas palestras de intercâmbio. E todo mundo sai desanimado delas. “Essas coisas são para os gênios, nunca vou tirar nota pra concorrer” foi meu pensamento após cada uma. Diploma Duplo estava totalmente fora do meu alcance. Mesmo assim eu me estressava com cada nota baixa, me matava nas P3s, nunca perdia uma sub de cálculo, e sou conhecido por frequentar todas as revisões de nota (posso dizer que, no mínimo, meio ponto da minha média foi resultado das minhas habilidades de chorar nota, e não de fazer contas). Talvez uma média boa me ajudasse a conseguir uma bolsa de IC, mudar pra produção se eu não aguentasse estudar engenharia, e, Deus me ajude, algum intercâmbio coxa aí.Bem, era uma terça à tarde de novembro, no fim do meu quarto semestre, e chegou o email do CRInt. Eu estava tão conformado com a idéia de não passar que já tinha certeza de receber um email de rejeição. Pelo menos tinha chegado até a última etapa, e no terceiro ano é mais fácil e tal... Mas, bem, era um email com a lista dos 12 aprovados, e daí fui me acostumando com a idéia de praia e sol, já que ia estudar dois anos na École Centrale de Marseille! Comecei a ligar para os meus amigos que também foram aprovados, e não esqueço quando ouvi os vômitos de felicidade de cada um pelo celular.Então, bixos, querem Diploma Duplo também? Pra começar, bom dar uma boa importância para as notas (apesar de que nunca fechei semestre com média acima de 8...), e, a não ser que você seja foda o bastante pra chegar no quarto semestre com 8.5, pra concorrer você precisa ter experiência de vida pra mostrar. Eu vim do interior, nunca participei de Olimpíada nem nada desse tipo. O negócio é aproveitar a sua estadia na Poli para fazer atividades extra-curriculares, ICs e voluntariados, já que, afinal, esses serão os diferenciais não só no mercado de trabalho, mas também no resto da sua vida. O PET obviamente foi um grande diferencial meu na entrevista do DD (Duplo Diploma), e meus amigos PETianos mais velhos dizem que ajuda muito na preparação para o mercado de trabalho.E como funcionam essas coisas de DD na Poli?Bem, no quarto semestre tem o processo seletivo das Écoles Centrales da França, onde você estuda engenharia generalista (muita matemática, a engenharia na França é baseada no tripé “teoria, teoria e teoria”), muito mais indicada se você não quiser ser aquele engenheiro fodástico que projeta megazords, mas sim se você quiser ser o chefe dele (=D). O processo seletivo aqui é simples, lá por setembro você deve entregar seu currículo e plano profissional (um texto de até 4000 caracteres sobre o que você quer da sua vida). Depois, uma entrevista de 10 minutos com professores da Poli, e, por fim, outra entrevista, com cinco professores das Centrales, em inglês ou francês. Quem for fazer DD nas Centrales vai trocar o sexto e o sétimo semestres da Poli pelo primeiro e segundo ano das Centrales, já que na França o biênio é separado da faculdade (2 anos de classe preparatoire), e na faculdade você estuda 3 anos só, então o primeiro e segundo ano de lá correspondem ao terceiro e quarto daqui.O sexto semestre tem muitas oportunidades, divididas entre o processo seletivo para a Alemanha e o Unificado (França, Itália, etc). Eles são parecidos com o processo das Centrales, mas à vezes têm um algo a mais, por exemplo, pedem cartas mais específicas, certas provas, etc,Para a Alemanha a exigência por notas boas é beeem menor, você tem é que saber falar alemão, então, caro bixo, corra, porquê alemão é tenso (eu tentei!), e você poderá estudar dois anos na Universitat Darmstadt ou na Universitat Stuttgart. Normalmente nelas você começa como estudante de Aproveitamento de Créditos, e no fim do primeiro ano faz a opção de mudar para Diploma Duplo.No Unificado temos, na Itália, a Politecnico di Torino (PoliTo) e a Politecnico di Milano (PoliMi), e, na França, bem, temos MUITAS, com enfoques em engenharias diferentes. As mais cobiçadas no Unificado, pelo que percebi, são a PoliMi na Itália, a “ENSTA” pra G.A Mecânica, a “Ponts et Chaussées” pra G.A Civil, e a Supeléc pra G.A Elétrica, na França, e, claro, principalmente, a Polytechnique, que é o DD mais difícil e mais desejado de todos. A Polytechnique também é a única que abre processo seletivo tanto no sexto quanto no oitavo semestre.O currículo do programa de DD varia muito entre as escolas, e pode ir desde o imutável “Programme Centralien” das Centrales até os mais flexíveis, onde você pode escolher especialização e várias optativas.É isso aí, bixos, qualquer dúvida, corram na sala do PET, mandem email, que nós respondemos e podemos colocar você em contato com nossos egressos intercambistas!